A IGEC no  Logo Twitter e Logo YouTube
 

IGEC participa na formação de 270 inspetores estagiários franceses

12-04-2018

A convite da Escola Superior da Educação Nacional do Ensino Superior e Pesquisa (ESENESR), a IGEC, representada pelo subinspetor-geral Augusto Lima Rocha, participou no dia 22 de março, em Poitier, França,  em dois seminários que integram o plano de formação de 270 inspetores estagiários franceses. A ESENESR é um serviço nacional que tem por missão a conceção, monitorização e formação inicial e contínua dos quadros superiores dos ministérios da educação e do ensino superior, investigação e inovação.

Para além da inspeção portuguesa, participaram também as inspeções de Espanha, Bélgica, Alemanha e Holanda. Os seminários, em formato mesa redonda, foram dinamizados pelo subdiretor da ESENESR, Jean-Claude Chapu. Abordaram-se diversas temáticas educativas, com destaque para as seguintes:

(i) principais transformações/inovações dos sistemas educativos dos países participantes;

(ii) a resposta/atuação das inspeções;

(iii) as caraterísticas/metodologias da intervenção inspetiva.

Na abordagem aos principais temas educativos na ordem do dia em Portugal, relacionou-se a atuação da IGEC com as transformações emergentes ainda que a terceira temática tenha sido a que mais despertou a atenção dos inspetores estagiários e do responsável da ESENERS. A abordagem a este tema foi concretizada através da passagem de um vídeo com o desenvolvimento de duas atividades inspetivas no terreno, a saber, Gestão do Currículo: Ensino Experimental das Ciências e Jardins de Infância da Rede Privada - Instituições Particulares de Solidariedade Social. O vídeo em questão foi elaborado pela IGEC com a colaboração da DGEstE e mostra "o fazer inspetivo" em contexto real.

Para cada uma das atividades selecionadas, apresentou-se a metodologia inspetiva no desenvolvimento destas atividades, isto é, a maneira como as equipas inspetivas desenvolvem a intervenção, desde a sua chegada à escola intervencionada, passando pela observação de contextos educativos, até a apresentação das principais conclusões em sede de reunião final com a direção e outros elementos da comunidade escolar. Não obstante a importância de todas as atividades inspetivas, apostou-se em duas atividades desligadas do tradicional papel de controlo e verificação da conformidade. As duas atividades de acompanhamento selecionadas, embora se focalizem em distintos aspetos da realidade escolar, estão alinhadas com os desafios que atualmente se colocam aos serviços inspetivos.

Desde logo, não se trata de estar na escola para lhe dar apoio técnico nem configura consultoria, que orienta a escolha e a execução de procedimentos. Pretende-se exercer a função de tornar consciente o que a ação educativa tem de intencional e sistemático, promotor de aprendizagens de qualidade e o que tem de ocasional e pouco consolidado; trata-se de dar confiança aos docentes, de credibilizar a sua ação – trata-se de manter uma observação credível e útil; por isso, a metodologia de intervenção é muito exigente do ponto de vista inspetivo, privilegiando o trabalho em equipa. A metodologia de trabalho do acompanhamento implica que a equipa inspetiva utilize um conjunto diversificado de fontes e processos de recolha de informação, entre os quais se destacam as entrevistas, a análise documental, a observação direta de ambientes educativos. A captação e apreensão da realidade através de métodos e abordagens diferentes potencia a sua eficácia, porquanto aproveita as potencialidades e sinergias de cada um deles e contribui para ultrapassar algumas das suas limitações.

Munido de um guião que identifica as principais áreas-chave a acompanhar, a equipa inspetiva tem um conjunto de coordenadas, orientador da observação (que é mais do que olhar, é fomentar o autoquestionamento, motivando e provocando o diálogo; é seguir a ação educativa; é interpelar para conhecer e compreender as prioridades estabelecidas, as estratégias em desenvolvimento e os resultados alcançados).